

Assim, o preço de mercado de certos produtos (uns mais que outros, evidentemente) vai crescendo, afastando-se do ‘valor real’. Mas isto só funciona enquanto existe confiança e aumento do poder de compra. É como umsoufflé que cresce. Só que, quando a diferença entre o preço de mercado e o valor real ultrapassa certos limites, o balão rebenta. Todo o sistema desincha então instantaneamente. Tudo cai ao mesmo tempo: os bancos que financiam o sistema perdem valor, descapitalizam-se e cortam o crédito, as empresas ressentem-se, começam as reduções de pessoal e as falências, o desemprego aumenta, etc.
Nestas épocas de crise as pessoas entram em paranóia e começam a atribuir culpas. Arranjam-se bodes expiatórios. Pedem-se medidas exemplares.
Agora o cavalo de batalha é a ‘regulação’. Toda a gente diz que a regulação falhou. Pede--se mais regulação. A regulação é que vai resolver tudo e evitar novas crises. Acontece que o aumento da regulação tem os seus custos. Significa necessariamente aumento da burocracia. E o crescimento da burocracia traduz-se em inércia e contribui para o aumento do peso do Estado e da despesa pública. E torna-se um obstáculo ao desenvolvimento e à afirmação da sociedade civil, cuja debilidade é o grande busílis português.
Portanto, devemos manter-nos calmos, não entrar em loucuras, encarar a crise como uma válvula de escape do sistema, aperfeiçoar certos mecanismos de controlo mas não pensar que a regulação é uma varinha mágica que resolverá tudo. E perceber que ela tem o perigo de dar muito poder à burocracia do Estado – que quando se instala é muito difícil de remover." ,
José António Saraiva, Sol



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